segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

MG: Uberlandense nota mil na redação do Enem é devoradora de livros

Vitória Garcia e Souza disse a leitura, que lhe permite ter uma visão crítica do mundo, é essencial (Foto: Cleiton Borges)
Vitória Garcia e Souza disse a leitura, que lhe permite ter uma visão crítica do mundo, é essencial (Foto: Cleiton Borges)

Um seleto grupo de 250 estudantes brasileiros obteve nota máxima na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2014, que trouxe o tema “Publicidade infantil no Brasil”. Faz parte deste grupo a jovem Vitória Garcia e Souza, de 17 anos, que mora em Uberlândia desde 2013.

“Devoradora de livros”, a estudante atribui o resultado à paixão pela literatura, que lhe rendeu referências culturais e uma visão crítica de mundo, competências caras para o exame. Ela também não perdeu de vista o desenvolvimento das competências avaliadas na redação, que seguem a abordagem totalizante do Enem, de redução das fronteiras entre as disciplinas.

Natural de Rio Branco (AC), Vitória Souza é filha única e sempre estudou em escolas particulares na sua cidade. Ela decidiu seguir a carreira profissional do Direito, não por acaso, já que a mãe atua como promotora e o pai como procurador. Eles enviaram a filha a Uberlândia para garantir sua segurança, em função dos riscos que a profissão oferece. Nas prateleiras da casa onde vive, em um condomínio na zona sul, são encontrados títulos de autores como Paulo Leminski, Eduardo Galeano e Goethe, além de livros sobre Direito.

Antes de intensificar os estudos, há dois anos, ela lia cerca de dois livros por semana. “Decidi que não queria ser ignorante sobre gêneros literários, pois isso me ajuda a conhecer novas culturas e modos de ver o mundo. Já li de tudo um pouco”, afirmou. A jovem diz que não calcula as horas diárias de estudo. Para não se estressar, prefere estudar até que se esgote a compreensão dos assuntos.


Vitória e aos fundos os livros lidos pela estudante. (Foto: Cleiton Borges)A mãe da estudante, Alessandra Garcia, disse que ela trocou as bonecas pelos livros aos 11 anos. “A escrita vem daí. Quando ela não gostava do desfecho de algum livro, reescrevia a história, dando a ela outro fim. Ela tem alguns romances guardados na gaveta”, disse. Reescrever os textos também é um exercício que a jovem faz na escola.
De acordo com a corretora de redação da instituição privada onde a jovem estuda em Uberlândia, Camila Oliveira Lana, o trabalho na área de Linguagens e Códigos implica a dedicação do aluno, e Vitória Sousa sempre foi assídua na produção textual e atenta às orientações da correção. A profissional afirmou ainda que é notável o nível de criticidade da aluna sobre a realidade social.

Para o coordenador de correção das redações da escola, Vitor Bernardes Sousa, este é um aspecto valorizado pelo Enem, que se diferencia dos tradicionais vestibulares por valorizar a capacidade de propor soluções para problemas e a visão de mundo dos candidatos, por meio da dissertação argumentativa. “O aluno precisa problematizar o tema, indo além do que vive particularmente para propor uma intervenção social. Daí a importância da bagagem cultural”, disse.

Segundo Vitória Souza, sua vivência no Acre e em Minas Gerais, em viagens pelo mundo e pela Literatura, sua paixão por séries televisivas e pela cultura japonesa foram fundamentais para redigir a redação do Enem 2014. “Eu me sentia preparada para tratar de qualquer tema, por ter esse acúmulo de referências e também por ter trabalhado muito nas competências exigidas pelo Enem.” (Correio de Uberlândia)

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