![]() |
| Vitória Garcia e Souza disse a leitura, que lhe permite ter uma visão crítica do mundo, é essencial (Foto: Cleiton Borges) |
Um seleto grupo de 250 estudantes brasileiros obteve nota máxima na
redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2014, que trouxe o
tema “Publicidade infantil no Brasil”. Faz parte deste grupo a jovem
Vitória Garcia e Souza, de 17 anos, que mora em Uberlândia desde 2013.
“Devoradora de livros”, a estudante atribui o resultado à paixão pela
literatura, que lhe rendeu referências culturais e uma visão crítica de
mundo, competências caras para o exame. Ela também não perdeu de vista o
desenvolvimento das competências avaliadas na redação, que seguem a
abordagem totalizante do Enem, de redução das fronteiras entre as
disciplinas.
Natural de Rio Branco (AC), Vitória Souza é filha única e sempre
estudou em escolas particulares na sua cidade. Ela decidiu seguir a
carreira profissional do Direito, não por acaso, já que a mãe atua como
promotora e o pai como procurador. Eles enviaram a filha a Uberlândia
para garantir sua segurança, em função dos riscos que a profissão
oferece. Nas prateleiras da casa onde vive, em um condomínio na zona
sul, são encontrados títulos de autores como Paulo Leminski, Eduardo
Galeano e Goethe, além de livros sobre Direito.
Antes de intensificar os estudos, há dois anos, ela lia cerca de dois
livros por semana. “Decidi que não queria ser ignorante sobre gêneros
literários, pois isso me ajuda a conhecer novas culturas e modos de ver o
mundo. Já li de tudo um pouco”, afirmou. A jovem diz que não calcula as
horas diárias de estudo. Para não se estressar, prefere estudar até que
se esgote a compreensão dos assuntos.
A mãe da estudante, Alessandra Garcia, disse que ela trocou as
bonecas pelos livros aos 11 anos. “A escrita vem daí. Quando ela não
gostava do desfecho de algum livro, reescrevia a história, dando a ela
outro fim. Ela tem alguns romances guardados na gaveta”, disse.
Reescrever os textos também é um exercício que a jovem faz na escola.
De acordo com a corretora de redação da instituição privada onde a
jovem estuda em Uberlândia, Camila Oliveira Lana, o trabalho na área de
Linguagens e Códigos implica a dedicação do aluno, e Vitória Sousa
sempre foi assídua na produção textual e atenta às orientações da
correção. A profissional afirmou ainda que é notável o nível de
criticidade da aluna sobre a realidade social.
Para o coordenador de correção das redações da escola, Vitor
Bernardes Sousa, este é um aspecto valorizado pelo Enem, que se
diferencia dos tradicionais vestibulares por valorizar a capacidade de
propor soluções para problemas e a visão de mundo dos candidatos, por
meio da dissertação argumentativa. “O aluno precisa problematizar o
tema, indo além do que vive particularmente para propor uma intervenção
social. Daí a importância da bagagem cultural”, disse.
Segundo Vitória Souza, sua vivência no Acre e em Minas Gerais, em
viagens pelo mundo e pela Literatura, sua paixão por séries televisivas e
pela cultura japonesa foram fundamentais para redigir a redação do Enem
2014. “Eu me sentia preparada para tratar de qualquer tema, por ter
esse acúmulo de referências e também por ter trabalhado muito nas
competências exigidas pelo Enem.” (Correio de Uberlândia)

Nenhum comentário:
Postar um comentário