Em janeiro de 2015, foram desmatados 288
km² na Amazônia Legal – aumento de 169% em relação ao mesmo mês do ano
anterior, quando a devastação se estendeu por 107 km². O monitoramento, não oficial, foi
realizado pelo Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do
Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), de Belém, no Pará.
Além
dos dados sobre o corte raso, o boletim publicado pelo Imazon também
incluiu números relativos à degradação florestal – áreas onde a floresta
não foi inteiramente suprimida, mas foi muito explorada ou atingida por
queimadas.
Em janeiro, as áreas degradadas chegaram
a 389 km², um salto de 1.116% em relação ao mesmo mês de 2014, quando
foram registrados 32 km². Segundo o boletim, toda a degradação florestal
detectada em 2015 aconteceu em Mato Grosso.
Desta vez, o território monitorado pelo
Imazon foi maior que no ano passado. Em janeiro de 2015, 50% da floresta
estava encoberta por nuvens e, portanto, fora do alcance dos satélites.
Já em janeiro de 2014, as nuvens cobriam 58% da Amazônia Legal.
O boletim destaca, no entanto, que em
2015 a cobertura se concentrou sobre regiões importantes (como Pará e
Amazonas), o que reduziu a capacidade de detecção. “Em virtude disso, os
dados de desmatamento e degradação florestal em janeiro de 2015 podem
estar subestimados”, diz o relatório.
Os Estados que mais sofreram com o
desmatamento foram Mato Grosso (75%) e o Pará (20%), seguidos por
Rondônia (2%), Amazonas, Tocantins e Roraima, todos com 1%.
Os municípios mais devastados da
Amazônia foram Feliz Natal (MT), com 19,3 km², Altamira (PA), com 16,8
km², Rondon do Pará (PA), com 15,8 km², e Porto dos Gaúchos (MT), com
15,3 km². Dos dez municípios mais devastados, oito estão em Mato Grosso.
Segundo o boletim, 80% da devastação
registrada aconteceu em áreas privadas. O restante se distribuiu por
assentamentos de reforma agrária (12%), unidades de conservação (7%) e
terras indígenas (1%).
O desmatamento acumulado entre agosto de
2014 e janeiro de 2015 – período que corresponde aos seis primeiros
meses do calendário oficial de medição da devastação – chegou a 1.660
km². O aumento foi de 213% em relação ao período anterior, quando o
desmatamento acumulado somou 513 km².
Diferentes – O SAD
utiliza imagens dos mesmos sensor e satélite empregados pelo Sistema de
Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (Inpe), que fornece ao governo federal as
informações sobre as novas áreas de desmatamento na Amazônia. No
entanto, as metodologias utilizadas pelo Inpe e pelo Imazon são
distintas.
Os últimos dados do Deter foram
relativos a agosto, setembro e outubro de 2014, indicando aumento do
desmatamento de 117% em relação ao mesmo período em 2013. Os dados do
SAD para o mesmo trimestre de 2014 mostraram alta de 227% em relação ao
ano anterior.
Além do Deter, que monitora o
desmatamento em tempo real, o Inpe opera o sistema Degrad, que mapeia
áreas expostas à degradação florestal, e o sistema Prodes, que tem
resolução maior e fornece ao governo taxas anuais oficiais de
desmatamento da Amazônia Legal. (o Estado SP)
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