
Os ministros Edson Fachin e Luís Roberto
Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), votaram nesta quinta pela
descriminalização do porte de maconha para uso pessoal. Assim como o
relator do processo, Gilmar Mendes, eles entenderam que a criminalização
do porte de drogas ofende a vida privada dos cidadãos. Já o próximo a
votar, Teori Zavascki, pediu vistas do processo e a sessão foi suspensa.
Fachin disse que o uso de
entorpecentes é moralmente reprovável, mas o Estado não pode impor
regras morais e um modelo de vida aos usuários. Segundo o ministro, cabe
ao Estado proteger o cidadão, por meio de políticas públicas de
prevenção, mas sem punição criminal para quem é flagrado portando
drogas. “A autodeterminação individual corresponde a uma esfera de
privacidade, intimidade e liberdade imune à interferência do Estado,
ressalvada a lesão a bem jurídico transindividual alheio, situação essa
permissiva de ação repressiva estatal”, argumentou o ministro.
Apesar de o debate tratar da
descriminalização do porte de drogas de forma genérica, Fachin preferiu
delimitar em seu voto que a descriminalização seja restringida à
maconha, que é o caso concreto que motiva o julgamento. O ministro disse
que o tema é uma questão de saúde pública e defendeu a atuação governo,
das famílias e de entidades religiosas para ajudar os dependentes. “O
dependente é vitima, e não criminoso germinal. O usuário em situação de
dependência deve ser tratado como doente.”, afirmou.
O ministro também defendeu a
aprovação pelo Congresso Nacional de uma lei para definir parâmetros
objetivos sobre a quantidade de entorpecentes para diferenciar usuários e
traficantes.
Após Fachin, votou o ministro Luís
Roberto Barroso. Ele propôs como parâmetro para o uso pessoal a quantia
máxima de 25 gramas e a autorização para que o usuário plante em casa
seis plantas fêmeas.
A descriminalização está sendo
julgado por causa do recurso de um ex-preso condenado em são Paulo por
porte de maconha. A droga foi encontrada na cela do detento.A Defensoria
Pública paulista defende a descriminalização para o porte. A
Procuradoria Geral da República é contra. Ele será seguido de Teori
Zavascki, Luiz Fux, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Marco Aurélio, Celso de
Mello e o presidente do STF, Ricardo Lewandowski.
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