O
plano da oposição de fortalecer o movimento pelo impeachment da
presidente Dilma Rousseff a partir da delação premiada do ex-diretor da
Petrobras Nestor Cerveró pode não ser concretizado. O motivo: três
citações de Cerveró à presidente sobre a compra de Pasadena, em
depoimentos aos investigadores da Operação Lava Jato, foram retiradas da
versão final do acordo, homologada pelo Supremo Tribunal Federal.
O resumo de informações prévias da
delação relata, quando o delator fala sobre Pasadena, que “Dilma
incentivou Nestor Cerveró para acelerar as tratativas sobre Pasadena.
Sempre esteve a par de tudo que ocorreu na compra daquela refinaria, e
realizou diversas reuniões com Nestor [Cerveró] durante todo o trâmite”.
Ele afirmou ainda que “Delcídio
tinha um relacionamento muito próximo com Dilma Rousseff, sendo que
participou de diversas reuniões com Dilma e Nestor, fato que isso leva a
crer que Dilma tinha conhecimento [do] valor adiantado para Revamp”. E
que a responsabilidade por aprovar a compra de Pasadena é da “presidente
Dilma”.
No termo homologado pelo ministro
Teori Zavascki, no entanto, não consta nenhuma das três menções, segundo
reportagem do jornal Valor Econômico, que obteve documento sobre o
termo de colaboração de Cerveró. Um suposto pagamento de propina de US$ 4
milhões à campanha de reeleição do ex-presidente Lula com recursos de
Pasadena também foi retirado da versão final.
Supostas menções à presidente Dilma
por Nestor Cerveró na Lava Jato levaram a oposição a reforçar sua
estratégia pelo golpe nesta quarta-feira. O PSDB de Aécio Neves estuda
pedir a inclusão da delação no processo que pede a cassação da chapa
Dilma-Temer no TSE. Enquanto o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho
(PE), disse que convocará Cerveró à comissão especial do impeachment.
Também foi divulgada na imprensa uma
fala de Cerveró que afirmou ter ouvido do senador Fernando Collor de
Mello (PTB-AL) que Dilma havia colocado todas as presidências da BR
Distribuidora à disposição do parlamentar. Não há confirmação se esse
trecho da delação consta na versão final homolada pelo ministro Teori
Zavascki. (247)

Nenhum comentário:
Postar um comentário