A
mulher do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB/RJ) convocou o
deputado Jovair Arantes (PTB/GO), relator do processo de impeachment
contra a presidente Dilma Rousseff (PT), como sua testemunha de defesa
em ação penal da Operação Lava Jato. O parlamentar e dois ministros do
governo Michel Temer - Bruno Araújo (Cidades - PSDB/PE) e Maurício
Quintella (Transportes - PR/AL) - fazem parte do rol de 26 testemunhas
arroladas pela defesa de Cláudia Cruz.
O
criminalista Pierpaolo Bottini defende Cláudia que, desde 9 de junho, é
ré do juiz federal Sérgio Moro, símbolo da Operação Lava Jato. A mulher
de Eduardo Cunha responde a processo por lavagem de dinheiro de mais de
US$ 1 milhão provenientes de crimes atribuídos ao deputado afastado.
Ela também é acusada de evasão de divisas. As testemunhas foram
indicadas na peça de defesa entregue ao juiz Moro.Segundo a denúncia da
força-tarefa da Lava Jato, Cláudia teria se favorecido de parte de
valores de uma propina de cerca de US$ 1,5 milhão que o marido teria
recebido para 'viabilizar' a aquisição, pela Petrobrás, de 50% do bloco 4
de um campo de exploração de petróleo na costa do Benin, na África, em
2011.
Os recursos que aportaram na conta de Cláudia foram utilizados,
por exemplo, para pagar compras de luxo feitas com cartões de crédito no
exterior - a investigação mostra que ela adquiriu sapatos, bolsas e
roupas de grife com recursos de origem ilícita, segundo a Procuradoria
da RepúblicaTambém foram convocados pela defesa aliados de Eduardo Cunha
na Câmara: os deputados Carlos Marun (PMDB/RJ), que lutou no Conselho
de Ética para que o parecer favorável a cassação do ex-presidente da
Casa fosse reprovado, Hugo Motta (PMDB/PB), Felipe Maia (PMDB/RN),
Gilberto Nascimento (PSC-SP) e Átila Lins (PSD-AM).
O
documento de 139 páginas, subscrito por Pierpaolo Bottini e também
pelas advogadas Cláudia Vara San Juan Araújo e Stephanie Guimarães,
divide o rol de testemunhas em quatro blocos. A defesa aponta que os
políticos poderão prestar depoimento sobre o tópico 'lavagem de dinheiro
decorrente da transferência de recursos de suposta origem criminosa
entre o trust Netherton (da qual seu marido é beneficiário) e a conta
Kopek (de titularidade de Cláudia)'.
"Testemunhas
que atestem a ausência de conhecimento/envolvimento da Defendente
(Cláudia) com os negócios de seu marido e a inexistência de dolo
eventual ou cegueira deliberada em seu comportamento", sustenta a defesa
de Cláudia.O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Francisco
Resek (1983/1990 e 1992/1997), também ex-ministro de Relações Exteriores
(1990 a 1992) do ex-presidente Fernando Collor (PTC-AL), está na lista
das testemunhas.A defesa pretende que Resek esclareça questões
referentes à "evasão de divisas, pela manutenção de conta (Kopek) não
declarada no exterior; testemunhas que possam esclarecer fatos atinentes
à constituição da conta Kopek e as razões da omissão em declará-la ao
Banco Central do Brasil."Foram convocadas ainda testemunhas para falar
sobre o tema "lavagem de dinheiro decorrente do recebimento de valores
dos trusts Triumph e Orion SP (dos quais seu marido é beneficiário) na
conta Kopek (de titularidade da Defendente)'."Testemunhas envolvidas com
a instituição dos trusts mencionados na inicial e da conta Kopek que
atestem sua forma de funcionamento, e as diligências de compliance
efetuadas a fim de afastar qualquer imputação por lavagem de dinheiro
por parte da Defendente ao receber valores de tais estruturas", apontam
os advogados.Nesta lista estão funcionários do Banco Merril Lynch e os
representantes da offshore Netherton Investments Chian Shu Xin, Cindv e
Angela Nicolson, de Cingapura.
COM A PALAVRA, JOVAIR ARANTES
O
líder do PTB, deputado Jovair Arantes informa, por meio de sua
assessoria, que desconhece as razões pelas quais foi arrolado pelo
advogado Pierpaolo Bottini como testemunha de defesa da jornalista,
Cláudia Cruz, em ação penal da Operação Lava Jato
COM A PALAVRA, O MINISTRO BRUNO ARAÚJO
O
ministro Bruno Araújo se manifestou por meio da assessoria de imprensa.
"O ministro recebeu com surpresa a informação, disse que se for
intimado vai comparecer e responder as perguntas que lhe forem feitas."
COM A PALAVRA, CARLOS MARUN
O
Deputado Federal Carlos Marun (PMDB/MS), disse que, se ele for
convocado a testemunha de defesa, logo ele irá comparecer e responder as
perguntas que lhe forem feitas.Até então não chegou nenhuma convocação.
O ROL DE TESTEMUNHAS DE CLÁUDIA CRUZ
HUGO MOTTA, deputado
FELIPE MAIA, deputado
CARLOS MARUM, deputado
MAURICIO QUINTELLA, ministro dos Transportes
JOVAIR ARANTES, deputado
GILBERTO NASCIMENTO, deputado
BRUNO ARAUJO, ministro das Cidades
ATILA LINS, deputado
PATRICIA C. GLASSEY, funcionária do Banco Merrill Lynch, Genebra
MARY KIYONAGA, funcionária do Banco Merrill Lynch, Genebra)
ANGELA NICOLSON, funcionária do Banco Merrill Lynch, Singapura)
CARLOS ABRAMOWITZ, funcionário do Banco Merrill Lynch, Genebra)
CHIAN SHU XIN, representante da offshore
NETHERTON INVESTMENTS LTD)CINDV, representantes da offshore
NETHERTON INVESTMENTS LTD)ANGELA NICOLSON, representantes da offshore
NETHERTON INVESTMENTS LTD)JORGE HAIEK REGGIARDO, representante da Posadas&Vecino, Consultores Internacionales Inc.)
LUIS MARIA PINEYRUA PITTALUGA, representante da Posadas&Vecino, Consultores Internacionales Inc.)
FRANCISCO RESEK, ex-ministro do STFTADEU DE CHIARA, professor
DIDDIER DE MONTMOLLIN, advogado suíço
MARCOS LUIZ DE O. SOUZA
PAULO CEZAR LAMENZA
LAERTE RIMOLI
MARIA DE FATIMA NOGUEIRA
MIRTA FELIX
CHRISTIANE BASTOS DE ALMEIDA

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