
Por: Marquezan Araújo e Tácido Rodrigues
Com o objetivo de economizar dinheiro em
tempos de crise, é comum que os consumidores pesquisem preços antes de
irem às compras, já que itens básicos da alimentação dos maranhenses
ficaram mais baratos neste ano. Segundo relatório divulgado
pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese) no início do mês, os produtos da cesta básica
que tiveram maior queda de preços no estado foram o leite (23,04%) e o
feijão (56,41%). Ainda de acordo com a instituição, o preço médio da
cesta básica caiu 4,14% em São Luís em comparação ao mês de julho.
Mesmo com a redução dos preços, o
pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Rodrigo
Orair, ressalta que, no fim das contas, o consumidor ainda paga caro por
conta da alta tributação embutida nos produtos. “A gente tributa demais
bens e serviços, quase metade da carga tributária é de bens e serviços.
O imposto está embutido no preço quando a dona de casa, colega de
profissão vai ao supermercado comprar um bem”, afirmou.
O especialista explica ainda que a
população mais pobre paga mais impostos sobre produtos de bens e
serviços, uma vez que a tributação é cobrada independentemente da classe
social e da renda do comprador. “Não há diferença entre quem é pobre e
quem é rico, todo mundo vai pagar o tributo igualmente”. Segundo o
pesquisador do Ipea, isso acontece porque os mais pobres consomem mais
em proporção à sua renda.
Para se ter ideia do impacto no
orçamento familiar, o preço da cesta básica em São Luís (R$ 352,36)
compromete 40,88% do salário mínimo líquido do trabalhador, tendo como
base os dados do Dieese. Em agosto, o departamento estimou que o salário
mínimo necessário para manter uma família de quatro pessoas deveria ser
de R$ 3744,83, o equivalente a quatro vezes o valor do salário mínimo
atual (R$ 937).
Imposto único
Para tentar tornar as tarifas mais
equilibradas, um dos pontos da reforma tributária, que tramita no
Congresso, propõe a criação do Imposto Sobre Operações de Bens e
Serviços, o IBS. Se aprovado da forma que foi apresentado, o tributo
substituiria nove cobranças, como o Imposto Sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços, o ICMS, e o Imposto sobre Produtos
Industrializados, o IPI.
Membro da Comissão Especial da Reforma
Tributária, o deputado Pedro Fernandes (PTB-MA) defende que a cobrança
de impostos deve se basear na renda e não consumo. Com isso, ele avalia
que o sistema tributário se tornaria mais igualitário. “É injusto com a
maioria do povo brasileiro, já que a maior parte da carga tributária se
dá no consumo. Ou seja, os que ganham menos terão melhorias reais (com a
reforma)”, garantiu o parlamentar.
Para o advogado tributarista Erich
Endrillo, o sistema fiscal brasileiro é caótico e precisa de ajustes. Na
visão dele, as empresas também são afetadas com a desorganização
tributária do país. Um exemplo claro disso, de acordo com o
especialista, é o ICMS, imposto cobrado sobre a circulação de
mercadorias e prestação de serviços. “Uma empresa hoje que queira
sobreviver, vai ter que controlar as atividades fiscais. Basta olhar
para o ICMS, em que os 27 estados podem legislar, isso gera incertezas e
pouca segurança jurídica”, explicou.
Em janeiro deste ano, passou a vigorar
no Maranhão uma lei que aumentou as tarifas de energia elétrica,
gasolina, etanol, internet, telefonia e TV por assinatura. O acréscimo
veio por conta do reajuste do ICMS, aprovado pelos deputados estaduais
no fim do ano passado. A justificativa do estado para o reajuste é
evitar o colapso financeiro e manter as contas ajustadas.
A Ordem dos Advogados do Maranhão entrou
com ação para tentar reverter a lei estadual, mas o Tribunal de Justiça
do Estado (TJMA) negou o pedido.
Se a reforma tributária estivesse em vigor, esse acréscimo só seria
possível através do Imposto Seletivo, que prevê tributação especial para
setores como energia elétrica, combustíveis e telecomunicações. (Ascom)
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