A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, vai
receber hoje o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) para,
mais uma vez, buscar uma solução para o impasse envolvendo o afastamento
do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Desde a semana passada, os dois têm
mantido conversas no sentido de tentar evitar uma crise entre o Senado e
o STF.
Na última terça-feira, depois de a 1.ª Turma do Tribunal
impor ao senador afastamento do mandato e o recolhimento noturno, o
Senado reagiu. Ministros da própria Corte fizeram críticas abertas à
decisão da 1.ª Turma e os senadores indicaram que iriam deixar para o
plenário da Casa a palavra final sobre o destino de Aécio.
Na
iminência de ver o Senado derrubar a decisão do STF e abrir uma crise
entre os dois Poderes, Cármen e Eunício decidiram apostar no “diálogo”
para evitar o impasse. Na ocasião, após a conversa, Cármen disse a
jornalistas que a ação seria julgada o mais rápido possível. No dia
seguinte, o relator do caso, ministro Edson Fachin, liberou o caso para
ser incluído em pauta e Cármen marcou o julgamento para o próximo dia
11.
A ação direta de inconstitucionalidade discute se o Senado
pode ou não rever medidas cautelares impostas pelo Supremo a
parlamentares que não sejam a prisão – o que tem repercussão no caso de
Aécio. Eunício havia marcado sessão para amanhã, para analisar as
medidas contra o tucano, mas deve propor o adiamento da discussão para
aguardar a definição do STF.
A previsão dentro da Corte é de que a
maioria do Supremo chancele a possibilidade de o Senado decidir sobre o
afastamento de parlamentares, mas em um placar apertado. São
considerados imprevisíveis os votos do decano, Celso de Mello, e de
Cármen. Os dois são os últimos a votar no plenário. É possível ainda que
Cármen desempate a questão. A interlocutores, a presidente da Corte tem
se mostrado crítica à decisão da 1.ª Turma, tomada por 3 votos a 2.
Precedente.
Em dezembro de 2016, Cármen Lúcia também foi a fiadora de uma solução
pacífica para um confronto entre Senado e Supremo. Na ocasião, o senador
Renan Calheiros (PMDB-AL), não cumpriu liminar do ministro Marco
Aurélio Mello que o afastava da presidência da Casa. Por maioria, o
plenário do STF decidiu não referendar a decisão do ministro.
Na
noite de quinta-feira, a jornalistas, Cármen foi questionada sobre a
relação com a Eunício e respondeu: “Nós estamos numa boa, gente”. Na
tarde do mesmo dia, o ministro Marco Aurélio Mello disse que o País
estava “diante de uma crise institucional” grave.
A presidente do
STF também recebe na manhã de hoje o presidente da Câmara, Rodrigo Maia
(DEM-RJ). Na semana passada, os dois discutiram a situação da denúncia
contra o presidente Michel Temer, que será analisada na Câmara. Eles
chegaram a um consenso sobre o não fatiamento da acusação contra Temer e
dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco
(Secretaria-Geral da Presidência).
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