
A
refugiada síria Hanan Daqqah, de 12 anos de idade e que vive no Brasil
desde 2015, foi uma das
primeiras condutoras da tocha olímpica no País
Portal Rio 2016
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O número de refugiados reconhecidos pelo
Brasil entre 2010 e 2016 aumentou 127%, informa o Comitê Nacional para
Refugiados (Conare) do Ministério da Justiça. O dado consta do relatório
sobre o refúgio no País, divulgado nesta terça-feira (10).
Conforme o documento do Conare,
atualmente o País abriga 8.863 refugiados de 79 nacionalidades. O maior
número de reconhecimentos envolve sírios, angolanos, colombianos,
congolenses, libaneses, iraquianos, liberianos, paquistaneses e de
pessoas provenientes de Serra Leoa.
Além do aumento no contingente de
reconhecidos, o Conare registrou forte expansão nas solicitações de
refúgio. Nos últimos cinco anos, esses pedidos subiram 2.868%, passando
de 966, em 2010, para 28.670, no ano passado.
A maior parte dos refugiados que buscam
abrigo no País possui idade entre 18 e 59 anos, em várias situações
formadas por famílias compostas também por crianças e adolescentes.
A expansão dos refugiados reconhecidos e
do número de solicitações ocorre em meio a uma das mais graves crises
migratórias já enfrentadas pelo mundo. Segundo a convenção das Nações
Unidas sobre o Estatuto dos Refugiados (1951), refugiado é toda pessoa
que por motivos decorrentes de temores de perseguição à raça, religião,
nacionalidade encontra-se fora de seu país de origem.
Diante do grande número de refugiados e
da tradição brasileira de dar abrigo aos migrantes, o governo federal
adotou várias medidas de apoio nos últimos anos. Entre ações, informa o
Conare, constam os programas de vistos humanitários para cidadãos
haitianos e o programa de vistos especiais para os afetados do conflito
sírio.
Outras ajudas têm sido oferecidas pelos
dois Centros de Referência e Acolhimento de Migrantes e Refugiados
(CRAI) em atividade em São Paulo. Outros centros estão previstos para
Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e
Guarulhos.
Essas medidas têm sido acompanhadas de
facilitação do acesso à documentação para a retomada de vida regular no
Brasil, com auxílio para emissão de carteira de identidade estrangeira
para refugiados e asilados e ajuda para retomada de uma vida produtiva
com condições de sustento para o indivíduo e a família.
Tradição de acolhimento
A refugiada síria Hanan Daqqah, de 12
anos de idade e que vive no Brasil desde 2015, foi uma das primeiras
condutoras da tocha olímpica na terça-feira (3) da semana passada, em
Brasília (DF). Símbolo do tradição brasileira de acolhimento, Hanan foi
escolhida pelo Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016 a partir
de uma sugestão da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) no Brasil e
participou do primeiro dia do revezamento da tocha em solo
brasileiro. “Não me sinto como refugiada, mas como qualquer outra
brasileira levando a tocha”, disse Hanan.
O presidente do Comitê Nacional para os
Refugiados (Conare), Beto Vasconcelos, ressaltou a importância da
participação da menina no revezamento. “Os Jogos Olímpicos são um evento
internacional, cujo significado é marcado pela união, solidariedade,
respeito e paz entre os povos. É, portanto, uma oportunidade singular
para chamarmos a atenção para o triste drama humano vivido na pior crise
humanitária em 70 anos”, destacou Vasconcelos. A Olimpíada do Rio
contará com a participação de uma delegação composta por atletas
refugiados.
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