
“Parece que há quem queira festejar. Eu,
neste primeiro momento do governo Michel Temer, só tenho mesmo é uma
grande queixa a fazer: a extinção do MinC é ato retrógrado. Depois de já
haver, oportunisticamente, desistido de diminuir o número de
ministérios, Temer, premido pela má repercussão da notícia, voltou a
fazer o que a maioria dos brasileiros, acertadamente, quer: enxugar a
máquina administrativa, na crença de que, assim, faz economia e livra-se
do toma-lá-dá-cá. Na verdade, o peso econômico é pífio e as escolhas
dos novos ministros não apontam para um critério técnico e
meritocrático”.
Adiante: “Não. Eu digo não. Os artistas
que se sentem atraídos pelo histórico do PT, o mais duradouro e
estruturado partido de esquerda do mundo contemporâneo, não são
dependentes de governo. Eu não sou dependente de governo. Tenho minhas
opiniões próprias e exibo as contradições de minhas buscas. Só retirarei
a afirmação de que baixar o MinC a uma secretaria dentro do Ministério
da Educação (que tem tarefa gigante pela frente) ou a uma Secretaria
Nacional de Cultura ligada à Presidência da República, como se cogita
agora, é retroagir se, uma vez em ação, o novo governo prove que é capaz
de dar à produção cultural a atenção que ela requer. Se os trabalhos da
DDI tiverem continuidade, se os ajustes que se mostrem necessários no
uso da Lei Rouanet servirem para que ela seja mais eficaz no estímulo à
inventividade, se outras áreas da criação forem levadas à condição de
superavitárias, se o Estado exibir que sabe o quanto o apoio à cultura
pode resultar em crescimento econômico, direto e indireto, local ou como
estímulo ao turismo internacional. Sem isso, não quero nem saber de
festa”.
Caetano Veloso é cantor
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