* Aristóteles Cardona Júnior
Algumas semanas atrás escrevi aqui nesta
coluna do Brasil de Fato sobre o que chamei de doença da privatização.
Uma doença terrível que acaba com as forças e a riqueza de um país
entregando setores estratégicos para empresas nacionais e estrangeiras
que terão como interesse principal o lucro. E, antes que alguém se
pergunte, é preciso sempre reafirmar que ter o lucro como principal
interesse é, sim, um grave problema. Principalmente quando estamos
falando de setores que são essenciais para o progresso de um povo e de
um país, como saúde, educação, comunicação, energia elétrica, assim como
vários outros.
Naquele texto, citei que esta doença,
que esteve praticamente erradicada em nosso país, estava ressurgindo com
o ilegítimo governo de Michel Temer. A proposta do momento foi o
anúncio do interesse em privatizar a Eletrobrás. E para o nosso
desgosto, exposta pelo ministro de minas e energia, o pernambucano
Fernando Bezerra Coelho Filho, cria do senador Fernando Bezerra Coelho.
Os defensores das privatizações sempre
nos vêm com discursos e justificativas que parecem atraentes. Dizem que o
serviço vai melhorar e até que vai ficar mais barato. Mas a verdade é
que tudo isso não passa de enganação. E, para chegar a esta afirmação,
nem precisamos ir muito longe: basta olhar para a situação das
telecomunicações, privatizadas ainda no Governo de FHC. Possuímos uma
das mais caras tarifas de telefonia do mundo. E, o que chega a ser pior
ainda, tendo um péssimo serviço. É ou não é? Ou alguém está muito
satisfeito com serviços oferecidos pela sua operadora? Em consulta a
qualquer ranking de reclamações, as empresas de telefonia estão sempre
entre as primeiras que mais trazem problemas aos seus usuários.
A Eletrobrás representa um grande
patrimônio do povo brasileiro. Ela é gigante, respondendo por mais de
30% da energia gerada em nosso país e por quase 50% das linhas de
transmissão. Hoje já é uma empresa que possui ações negociadas em bolsas
de valores, mas o controle é do governo. Com a proposta, a empresa
deixa de ser patrimônio do povo e poderá ser comandada por qualquer um.
Como se não bastasse abrir mão de
controlar algo tão importante para o desenvolvimento de um país, o
governo pretende entregar quase de graça a Eletrobrás. Anunciaram um
preço de venda por volta de R$ 20 bilhões quando alguns especialistas
avaliam em mais de R$ 350 bilhões todo o seu parque gerador.
Por tantas questões é que este anúncio
de privatização da Eletrobrás não interessa à população brasileira. E se
não interessa ao nosso povo, a quem interessa? Quem vai se beneficiar
de fato com esta perda de patrimônio público? Michel Temer e Fernando
Bezerra Coelho Filho têm a obrigação de responder esta pergunta a todo
país.
Aristóteles Cardona Júnior é Médico de Família no Sertão pernambucano, Professor da Univasf e militante da Frente Brasil Popular de Pernambuco.

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