© ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO Os presidentes do Senado, Eunício Oliveira (esq.), e da Câmara,
Rodrigo
Maia, deixam o STF após reunião com a presidente da Corte, ministra
Cármen Lúcia
BRASÍLIA - Em um desafio ao Supremo Tribunal Federal (STF), o
presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), manteve para esta
terça-feira, 3, a votação que deve derrubar o afastamento do mandato e o
recolhimento noturno impostos pela Corte ao senador Aécio Neves
(PSDB-MG). A decisão foi tomada mesmo após a presidente do Supremo,
ministra Cármen Lúcia, sinalizar com um acordo para evitar uma crise
institucional e marcar para a semana que vem o julgamento de uma ação
que pode pacificar o assunto.
A questão, que será julgada no dia 11 pelo plenário do
Supremo, é se o Congresso deve ou não dar aval a medidas cautelares
contra parlamentares, como as que foram impostas a Aécio. Eunício, que
até o fim de semana estava propenso a adiar a votação e esperar o
resultado do STF, mudou de ideia e comunicou a decisão a Cármen nesta
segunda-feira, 2. Ao final do encontro, voltou a pregar o entendimento.
“A presidente Cármen tem pensado parecido com o que eu penso. Que não
adianta os Poderes fazerem enfrentamento. Os Poderes são independentes,
mas têm que ser harmônicos, têm que dialogar”, disse Eunício.
Apesar
do discurso conciliatório, Eunício defendeu a prerrogativa do Senado de
deliberar sobre o tema. “Os Poderes são independentes entre si. Não
existe Poder superior a outro Poder. Nem o Congresso que faz as leis é
superior a qualquer outro Poder. Nem qualquer outro Poder é superior ao
Congresso, que avalia também inclusive impeachment de outras
autoridades, como ministro do Supremo, procurador-geral da República,
cassação do presidente da República.”
Nesta segunda-feira, o PSDB e
a defesa de Aécio ajuizaram um mandado de segurança em que pedem a
suspensão do julgamento que determinou as medidas contra o tucano.
O
ministro Edson Fachin, que havia sido designado relator do mandado,
decidiu encaminhar a Cármen Lúcia o caso para que seja redistribuído. A
decisão ocorreu depois que de um questionamento da defesa pelo fato de
Fachin ter sido o relator do primeiro afastamento do tucano.
Uma
decisão favorável a Aécio evitaria o desgaste de o Senado derrubar as
restrições impostas pelo Supremo. Na Corte, a conversa de Cármen com
Eunício e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi vista como
mais um esforço para encontrar uma saída após a turbulência política
provocada pela decisão da Primeira Turma que afastou Aécio Neves das
funções parlamentares.
Auxiliares da presidente do STF reconhecem
o desconforto com a atual situação e admitem que Cármen Lúcia tem agido
para reduzir danos diante de um quadro que “não é o melhor cenário”.
Dentro do gabinete de Cármen, a decisão da Primeira Turma foi alvo de
críticas.
Além de tentar reverter o agravamento da crise
institucional na relação com os outros poderes, a ministra tem tentado
apaziguar os ânimos dentro do tribunal. Integrantes do STF, no entanto,
acreditam que Cármen deveria ser mais enfática na defesa da própria
Corte.
Pressão. O líder do PMDB no Senado,
Raimundo Lira (PB), afirmou nesta segunda-feira que a sua expectativa
era de que o Senado pudesse esperar o Supremo bater o martelo, mas diz
que há muitas pressões para que o Senado vote a questão. Segundo ele, a
bancada peemedebista, a maior do Senado, com 23 senadores, está dividida
sobre a questão.
A bancada tucana, segunda maior com dez
parlamentares, pressionou para que a votação ocorra nesta terça-feira.
Numa mudança de postura, até o diretório nacional do PSDB decidiu
ingressar com um mandado de segurança em favor de Aécio, presidente
licenciado da sigla. Até então, o partido havia atuado de maneira
discreta e chegou a demorar um dia para publicar uma nota na qual se
manifestou contra as restrições da Justiça ao senador mineiro.
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