| © Cristiano Mariz/VEJA O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) |
Na semana em que o Senado iniciará a tramitação dareforma da Previdência, o relator da proposta na Casa, Tasso Jereissati
(PSDB-CE), expressou preocupação com ações e declarações do presidente
Jair Bolsonaro que possam influenciar negativamente na aprovação do
texto. “Acho que a postura que ele [Bolsonaro] deve ter é quanto
mais calado, melhor, que aí as coisas fluem com mais tranquilidade, sem
criar nenhum ponto de atrito”, disse o senador, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.
“Aquelas declarações, algumas iniciativas, ele pode suspender, por enquanto, para não contaminar o ambiente. Por exemplo, a indicação do filho [Eduardo Bolsonaro] como embaixador.
O Senado é que vai respaldar ou não uma possível indicação para
embaixador nos Estados Unidos. Qualquer coisa que venha contaminar o
ambiente não é bom que venha do Poder Executivo”, acrescentou
Jereissati.
O senador tucano considera que a relação de Bolsonaro com o Congresso é “horrorosa” e tem piorado.
“Há
coisas horrorosas com as quais a gente se acostuma e acaba não ficando
tão espantado. Continuou horrorosa, mas a gente está se acostumando com
esse comportamento um pouco excêntrico [de Bolsonaro]. Recentemente ele
disse que, se o Congresso não aprovar o filho [Eduardo] para ser
embaixador nos EUA, ele o colocará como chanceler e que vai querer ver
quem tirará ele de lá. Isso é de uma hostilidade, de uma falta de
respeito com o Congresso gigantesca. Mas a repercussão foi já muito
melhor, porque estamos nos conscientizando de que vamos ter de conviver
com isso nos próximos três anos”, expôs o senador.
Embora critique
a relação com o governo, Jereissati condena a ideia de abrir um
processo de impeachment contra o presidente: “Vamos ter que conviver com
ele. O país não aguenta mais um terceiro impeachment. Votei pelo
impeachment de Dilma, mas tenho que reconhecer que nós ainda estamos
pagando um preço por isso”.
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